A Trajédia de Realengo
Richard Simonetti

   Sobre o acontecido na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Rio de Janeiro/RJ, em 7 de abril de 2011.
 
   1. Diante dos lamentáveis acontecimentos na escola do bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, podemos dizer que as crianças assassinadas cumpriram um carma?
   Negativo. Se assim fosse, estaríamos justificando o criminoso. Sua iniciativa seria de inspiração divina. Estaria atuando como instrumento de Deus. Quando muito, foi instrumento de Espíritos interessados em semear a confusão no Mundo.
   2. Há uma base doutrinária para essa afirmação?
   Na questão 746, de O Livro dos Espíritos, pergunta Kardec: É crime aos olhos de Deus o assassínio? Resposta do mentor: Grande crime, pois que aquele que tira a vida ao seu semelhante corta o fio de uma existência de expiação ou de missão. Aí é que está o mal. Fácil concluir que nenhum assassinato está escrito nas estrelas.
   3. Podemos dizer que os jovens assassinados não tinham que morrer assim? Sofreram um acidente de percurso?
   Sem dúvida. Isso aconteceu em razão da inferioridade humana. Não obstante, foram muito bem recebidos no Além, na condição de vítimas. Continuarão seu processo evolutivo na dimensão espiritual, amparados por seus mentores.
   4. E quanto ao criminoso?
   Este é digno de lástima. Está comprometido com o assassinato e o suicídio. Assumiu débitos cármicos que exigirão séculos para o resgate. Aprenderá, à custa de muito sofrimento, que é preciso respeitar o próximo, não fazendo contra ele nada que não queiramos para nós, se ainda não somos capazes de fazer por ele todo o bem que desejamos receber.
   5. Não é assustador considerar que coisas más podem acontecer com gente boa, independente de um destino traçado?
   O destino traçado por Deus, a meta que todos devemos atingir, é a perfeição. Acidentes de percurso são decorrentes da imperfeição humana, no estágio em que nos encontramos. Não obstante, agitam o psiquismo humano, e acabam revertendo em favor de nossa evolução, apesar dos transtornos que ocasionam.
   6. Produzem progresso?
   Ajudam a desbastar nossas imperfeições mais grosseiras. No passado, quando a produção de pregos era imperfeita, eles ficavam com rebarbas. Eram, então, colocados num tambor que girava. O atrito as eliminava. Os atritos a que somos submetidos na Terra ajudam a superar as rebarbas espirituais, da animalidade primitiva.
   7. Não é nada consolador para as vítimas saber que estão sendo atritadas em favor de sua evolução.
   O consolo vem da Doutrina Espírita, explicando-nos que a morte não existe. É apenas o retorno à pátria, à vida verdadeira, no plano espiritual, onde todos nos reencontraremos quando chegar nossa hora. Um dia, dentro de alguns milhares de anos, em estágios superiores de espiritualidade, saberemos que os contratempos e sofrimentos da Terra representam insignificante fração de segundo no relógio da Eternidade.
   8. Como nos proteger num mundo onde estamos sujeitos a essas ocorrências que não fazem parte de nosso destino?
   Jesus recomendou a oração e a vigilância, a prudência e a mansuetude, por onde andarmos, exercitando o Bem, de tal forma que permaneceremos sempre sintonizados com benfeitores espirituais. Assim, ainda que males não programados aconteçam em nossa vida, estaremos todos em paz, na Terra ou no Além, preservando nossa integridade de filhos de Deus.
 
   Fonte: Ismael Gobbo