Investimentos
Richard Simonetti

   A palavra de ordem, rezam os economistas, se desejamos melhorar nossa condição econômica, é poupar.
    Tanto quanto possível, reservar, mensalmente, um dinheirinho para o "pé-de-meia", algo que nos proporcione segurança e a perspectiva de um futuro confortável e tranquilo.
   Envolve aplicações financeiras para proteger o capital dos surtos inflacionários e ter algum rendimento.
   São incontáveis as opções, envolvendo caderneta de poupança, fundos de renda fixa, dólar, imóveis, ouro, bolsa de valores, mercado futuro e similares…
   Diga-se de passagem, o resultado costuma ser inexpressivo, a não ser que o investidor tenha muito dinheiro para aplicar, o que não ocorre com a maior parte da população.
   Há uma opção mais atraente, que merece atenção.
   Seria aplicar regularmente parte de nossas disponibilidades no Banco da Providência, atendendo pessoas que passam privações materiais, os carentes de todos os matizes, ajudando-os em suas necessidades.
   Partindo do velho aforismo, quem dá aos pobres empresta a Deus, todo recurso mobilizado nesse sentido representará valiosa poupança nos "cofres do Céu".
   E teremos dividendos abençoados: paz, saúde, bem-estar, felicidade, alegria de viver, muito mais importantes que o vil metal, o desejado patrimônio material.
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   Detalhe ponderável: o dinheiro investido nos negócios da Terra pouca utilidade oferece, além da satisfação de vê-lo crescer.
   Se sumir, não haverá nenhuma repercussão em nossa vida.
   Há pessoas que poupam o tempo todo e acumulam razoável capital que nunca irão usar.
   Servirá apenas para suscitar disputas entre os herdeiros, quando o poupador bater as botas.
   Há um provérbio chinês bem significativo:
   Mesmo que tenhas dez mil plantações, só podes comer uma tigela de arroz por dia; ainda que a tua casa tenha mil quartos, nem de dois metros quadrados precisas para passar a noite.
   E há as tensões, as dúvidas e a perda de algo precioso, quando nos envolvemos com os investimentos da Terra.
   Se me permite o leitor paciencioso, outro aforismo chinês:
   Quem abre o coração à ambição, fecha-o à tranquilidade.
   Melhor combater tais tendências, aprendendo a investir algo de nossos recursos no Banco da Providência, minorando aflições, atendendo enfermos, alimentando famintos, oferecendo melhores condições de vida para muita gente que vive miseravelmente.
   O lucro auferido com investimentos dessa natureza é imediato, exprimindo-se em inefável sensação de paz.
   O bem estendido ao redor de nossos passos é bênção de Deus em nossas vidas.
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   Questão crucial:
   Quando se trata de abrir a bolsa em favor do próximo, o fecho costuma emperrar.
   A tendência é dar o que não vai faltar.
   Invariavelmente, porém, sob inspiração do velho egoísmo humano, sempre nos parecerá indispensável o dinheiro amoedado, ainda que o tenhamos sobrando nos cofres.
   É de Sêneca judiciosa observação envolvendo a maneira como superestimamos nossas necessidades:Para a nossa avareza, o muito é pouco.
   Para a nossa necessidade, o pouco é muito.
   Assim, quase nada sobra para o Banco da Providência.
   Por isso Jesus nos oferece o exemplo da viúva pobre (Lucas, 21:1-4), dando a entender que o valor está em darmos o que vai fazer falta.
   E considere, leitor amigo: geralmente, esse "fazer falta" está em nossa cabeça, como sugere o filósofo romano.
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   Talvez nos estimule reconhecer que os investimentos nos Bancos do Mundo, por mais que rendam, não acrescentarão um só centavo aos valores espirituais.
   Tudo ficará aqui, quando formos convocados pela Morte à viagem de retorno. Se só eles merecem nossa atenção, estaremos mal, "ao relento", na Espiritualidade.
   Quanto aos investimentos no Banco da Providência, estes rendem dividendos para a Vida Eterna, habilitando-nos à estadia em "hotel cinco estrelas", no Além, amparados por generosos benfeitores.
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   Se alimentamos a intenção de emprestar a Deus, recomenda-se algum critério, evitando sustentar a malandragem e a indolência, que, infelizmente, grassam por aí.
   O ideal será escolhermos intermediários confiáveis.
   São as instituições que desenvolvem serviços assistenciais e promocionais de forma transparente e produtiva.
   Nelas são identificados os legitimamente carentes, desenvolvendo-se, em seu benefício, ações no sentido de promovê-los, reorganizando suas vidas.
   Usando expressão bem atual, ajudam os excluídos a encontrar um lugar na sociedade, construindo seu futuro.
   O Centro Espírita envolvido com o trabalho social, na vivência dos princípios de caridade que norteiam o Espiritismo, enquadra-se perfeitamente nessa condição.
   Ali se desenvolvem os mais variados serviços em favor da população carente, onde todos podemos fazer valiosos investimentos de dois tipos:
   - em espécie: reservar parte de nossos rendimentos, de forma disciplinada e perseverante, com a mesma regularidade com que pagamos contas de água, luz e telefone.
   - em serviço: reservar parte de nosso tempo para engrossar as fileiras de voluntários que desenvolvem serviços de assistência e promoção social, sob a bandeira da solidariedade.
   Então, sim, estaremos contabilizando créditos abençoados na Poupança do Céu, em favor de uma existência mais feliz na Terra e um retorno tranquilo à vida espiritual.
   Vamos investir?
 
REVISTA DE ESPIRITISMO CRISTÃO.
ANO 121 - AGOSTO 2003 - Nº 2093.