Tsunami no Japão
Inácio Ferreira

   Alguns amigos me têm escrito solicitando a minha opinião sobre o recente terremoto, seguido de violento tsunami, ocorrido no Japão.
   Antes de tudo, porém, preciso lhes dizer que, de fato, se trata de mera opinião de minha parte, posto que espíritos de minha condição, e um pouco mais acima, ainda não conseguem explicar a causa profunda de certos acontecimentos, de ordem coletiva, que envolvem os homens na Terra.
   Aliás, é preciso que saibam que não conseguimos atinar, de maneira satisfatória, nem com o que nos diz respeito na Vida Espiritual, pois essa história de que os espíritos tudo sabem, de si e dos outros, é pura balela!
   Os desencarnados – não me cansarei de repetir – são apenas homens fora do corpo, com a visão e o entendimento mais ou menos limitados pelas imperfeições que os caracterizam.
   Não venham para cá na ilusão de que terão acesso a todo e qualquer conhecimento, porque – isto eu sei! – vocês irão dar com os burros n'água...
   Tudo obedece a determinado espírito de sequência, e os mortos apenas estão um pouco mais vivos que os próprios vivos!
   Quanto à questão do tsunami sobre que estou sendo indagado, sinceramente, digo-lhes o seguinte: não devemos nos valer do sofrimento de alguém para ficar especulando em torno de seu carma…
   Tal resposta nos foi dada aqui por anônimo Instrutor que, entre outras coisas, comentando o assunto, falou conosco: - "Qualquer povo da Terra possui carma suficiente para que, a qualquer hora, lhe aconteça o mesmo ou ainda pior!..."
   Baseado nisto, eu não me atrevo a interpretações tão a gosto de muitos espíritos e espíritas, quando uma catástrofe semelhante atinge a Humanidade, nas chamadas "provações coletivas".
   De minha parte, permaneço orando para que o valoroso povo japonês, que tantas lições de determinação e coragem têm dado ao mundo, consiga superar o problema que serve de advertência para todos os países.
   Com este terremoto que sacudiu o Japão, considerado um dos abalos sísmicos mais fortes dos tempos modernos, e o desastre com os reatores nucleares, que multidões de espíritos estão lutando para debelar em suas consequências mais graves, eu fico pensando na civilização que, um dia, floresceu na Atlântida…
   Penso que deve ter sido algo semelhante que fez o referido Continente submergir, porque, de acordo com alguns compêndios que pude compulsar por aqui, os atlantes, que, oriundos de um planeta fora do nosso Sistema Solar, foram habitar a Terra, detinham avançada tecnologia na lida com o átomo.
   Imagino que foram eles que deram origem à raça amarela, da qual os nossos irmãos japoneses também descendem.
   Infelizmente, porém, o nosso problema, multissecular, é que continuamos relutando em aceitar o Cristo!
   Não pensem vocês, por exemplo, que todos os capelinos voltaram para Capela, ou voltarão. Absolutamente! Da Terra, muitos deles já partiram, e ainda partirão, para as muitas outras moradas da Casa do Pai, prosseguindo em sua quase infindável romagem de tentativa de assimilação da Mensagem consubstanciada no Evangelho.
   Para onde forem, levarão consigo, óbvio, as grandes conquistas efetuadas no campo da inteligência, lutando, no entanto, para acender diminuta réstia de luz no coração, que, há milênios, permanece mergulhado na penumbra dos sentimentos atrofiados.
   Espero que a minha singela resposta aos amigos não os decepcione de todo.
   Que o Senhor nos auxilie, individual e coletivamente, a sair da mesmice espiritual em que nos encontramos, nem que, para tanto, Ele tenha que nos sacudir com sucessivos tsunamis íntimos, porque não há, para o espírito, situação mais lamentável e duradoura que a cristalização do pensamento.
   Com meu abraço, Inácio Ferreira.
   Mensagem recebida por Carlos Alberto Baccelli, em Uberaba/MG, no dia 22 de março de 2011, sobre o evento ocorrido no dia 11 do mesmo mês.